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2 de novembro de 2007

Eu estive lá.

David Fonseca no Convento do Beato: Doce ou travessura?

Noite de bruxas, futebol, e música. David Fonseca apresentou ontem à noite a novidade «Dreams in Colour» em Lisboa, num lindíssimo Convento do Beato apinhado de convidados, imprensa e vencedores de passatempos de uma rede móvel. Em termos de espectáculo, mesmo sem a máquina estar ainda totalmente oleada, deu para confirmar que David Fonseca vive actualmente o melhor período de sempre da sua carreira discográfica.

«Dreams in Colour», o disco, é David Fonseca a entrar na maioridade artística, trabalho coeso, sintético, por vezes excelente. Ao vivo, a noite de ontem serviu para uma primeira apresentação daquilo que poderá vir a ser um novo espectáculo do músico leiriense, pontuado por momentos já conhecidos de concertos anteriores, todavia interligados com as novas canções de «Dreams in Colour».

O Convento do Beato, espaço escolhido para o espectáculo de ontem, é um local que vive de paradoxos. Tresanda misticismo, mas algumas parcelas do edifício foram recuperadas recentemente. Almofadas e puffs acomodaram boa parte dos espectadores até à entrada em palco de David Fonseca, que, sem grandes rodeios, disparou «4th Chance» e deu assim início à primeira real apresentação ao vivo de «Dreams in Colour» em Lisboa.

Não se pense, contudo, que este foi um concerto unicamente dedicado à novidade. «Song to the Siren», versão de Tim Buckley, abriu caminho aos singles passados «Who are You?» e «Someone That Cannot Love», e só depois se processou uma série de canções resgatadas de «Dreams in Colour». Se o europop manhoso (elogio!) de «Silent Void» convenceu apenas alguns, já «Superstars» levou o público ao quase êxtase, com alguns corajosos a aventurar-se pelo assobio de que se fala na música portuguesa.

Até ao final, destaques maiores para a versão de «Rocket Man» - «Elton John que nos perdoe», brincou David -, o sempre bonito e doce «Hold Still» a meias com Rita Redshoes, e, já na recta final, o sempre certeiro disparo pop «The 80's». O final de tudo isto deu-se com a repetição escusada - no entanto aceitável - de «Superstars».

David Fonseca apresentou, no fundo, um espectáculo não muito diferente daquele visto na Aula Magna durante a digressão do anterior «Our Hearts Will Beat as One». As diferenças - para além do maior alcance do repertório actual - residem sobremaneira no espaço mas também, e isso foi bem notório a determinadas fases, na qualidade sonora que vinha de palco, tecnicamente falando. Ganhou-se na beleza do local aquilo que se perdeu na excelência de som que a Aula Magna consegue garantir e o Convento do Beato (espaço logicamente não idealizado para estas coisas) nem por isso. Nada que impedisse um bom arranque para uma nova digressão, nada que impedisse a global satisfação numa noite de doces, bruxas, e um feiticeiro leiriense que, sem disfarce, atraiu boas centenas de fiéis para a sua causa.

O Benfica perdeu, mas o doce espectáculo de David Fonseca serviu para combater a azia.

1 Ah e tal...:

SFS disse...

Eu estive lá ctg. Foi pena a pequena n ter conseguido ir. Não que não tenhas sido bom mas a 3 seria mt melhor. :P